Desmatamento recua no país, porém Chapada do Araripe mantém índices preocupantes

Mesmo com a expressiva redução de mais de 30% no desmatamento registrado no Brasil em 2024, a Chapada do Araripe segue entre as áreas mais afetadas do país. O Relatório Anual de Desmatamento (RAD 2024), produzido pelo MapBiomas, mostra que o território nacional somou 1,24 milhão de hectares desmatados no período — uma melhora significativa em relação ao ano anterior. No entanto, a Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, no Cariri cearense, manteve praticamente o mesmo patamar de degradação: 5.965 hectares destruídos, número que coloca a unidade na terceira posição entre as áreas de conservação mais impactadas do Brasil.
Especialistas apontam que a estabilidade dos índices na região não deve ser interpretada como sinal de controle, mas como um alerta. Para eles, o problema persiste porque a pressão sobre o bioma continua constante, apesar das ações de fiscalização e monitoramento.
Carlos Augusto Pinheiro, chefe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) ICMBio Araripe, destaca que a degradação avança de forma contínua nos últimos anos. Ele explica que a APA é uma unidade de uso sustentável — onde convivem propriedades privadas, atividades produtivas e áreas naturais —, o que exige políticas robustas de preservação e uma gestão ambiental ainda mais rigorosa para evitar novas perdas.
Ambientalistas reforçam que a Chapada do Araripe exerce um papel estratégico para o equilíbrio climático do Cariri. Por se tratar de uma área elevada que intercepta ventos úmidos vindos do litoral, funciona como um “brejo de altitude”, interferindo no regime de chuvas, na recarga de mananciais e no conforto térmico em diversas cidades. A remoção da vegetação nativa, alertam, compromete esses serviços ambientais essenciais.
Queimadas intensificam o impacto ambiental no Cariri
Além do desmatamento persistente, os incêndios florestais têm agravado o cenário ambiental. Dados do Boletim do Fogo, do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará, indicam que o Crato registrou 68 ocorrências de queimadas apenas em novembro de 2025, ocupando a terceira posição no ranking estadual.
O panorama anual também preocupa: entre janeiro e novembro de 2025, Juazeiro do Norte e Crato já ultrapassaram o total de incêndios contabilizados em todo o ano de 2024. No acumulado estadual, o Ceará somou 843 ocorrências de fogo em vegetação até novembro — número superior às 776 registradas no ano anterior.
Especialistas apontam que o aumento de queimadas está relacionado à baixa umidade do ar, ondas de calor e à prática de uso do fogo para limpeza de terrenos. A falta de conscientização da população também figura como um dos principais fatores agravantes. Além dos danos diretos à flora e à fauna, os incêndios contribuem para a elevação da temperatura local e para a piora da qualidade do ar, afetando principalmente idosos, crianças e pessoas com doenças respiratórias.
Para ambientalistas, o enfrentamento ao problema exige um conjunto articulado de ações, que passam pela educação ambiental, intensificação da fiscalização, campanhas preventivas e maior participação da sociedade. A orientação é clara: evitar queimadas, denunciar irregularidades e apoiar iniciativas de preservação são passos fundamentais para proteger a Chapada do Araripe — um dos patrimônios naturais mais valiosos do Nordeste e crucial para o equilíbrio ambiental do Cariri.



